Já tentei, mas não me acostumo. Não sei ser periódico, metódico e prestativo, não faz parte de mim comparecer, dizer um alô, mandar recado. Minhas saudades pertencem somente à mim e não preciso espalhar para o mundo que queimo por dentro, que arde o peito e que choro, escondido. Sou aquele que chamam de “sumido”. E sumo mesmo, apesar de estar sempre no mesmo lugar. Talvez seja isso. Esse quê de ser invisível, mesmo fora do mar.
Já tentei, volto à te falar. Mas tudo que me prende me sufoca. Te contei? Eu gosto do vento, da brisa gelada coçando o nariz, dos cabelos poucos farfalhando e do silêncio do mundo. Os pássaros que cantam baixo, os grilos e cigarras com seus intermináveis luais, o vento dançando com as folhas que agora estão secas e até mesmo as lágrimas que algumas rosas choram, sempre que amanhece. E, sem faltar, claro, o barulho do mar. O som do conforto. De liberdade. Minha.
Só que, entenda, o fato de tentar, não quer dizer que consegui. Sou um humano falho de mil maneiras e não tente me encaixar em estereótipos baratos, desses que se encontram em qualquer esquina. Te pertenço, pertenço à tantos outros e sinto saudades e choro, embora não admita isso em voz alta. Até meu choro vem em silêncio e se vai, sem que ninguém perceba. Mas eu sinto saudades. De ti, dele, das saudades poucas e de algumas outras moças, tão saudosas e insondáveis e tristes sem motivo e de choro quieto, como eu.
Nostalgia, por A. C. F. de Lima.
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Você veio tão rápido, bagunçou com minha vida, me deixou encurralado, sem
saída.
Você não sabia que eu existia, mas eu sabia tudo ao seu respeito.
Mo...
