terça-feira, 13 de novembro de 2012

Conversa entorpecente


— Vem e me diz se tem algum motivo para isso tudo. Vem e me diz se tem um propósito por trás dessa bagunça. Eu senti saudades tuas. Na verdade, senti saudade de muita gente, mas guardei todo mundo apertadinho aqui dentro e deixei que me sufocassem.

— Bem sei que sufoca, moço. Entendo a entonação das palavras que vêm soltas, mas doloridas. Entendo a fragilidade que abrange a bagunça toda, tua birra em querer ser outro e depois partir para qualquer lugar, num canto que te alimente com prosa, poesia e vodka.


— A vida é uma mentira viciada em clichês e estereótipos baratos que me enjoam. Tem como fugir de tudo isso num universo paralelo totalmente alheio dessa vida mundana? Tem, mas até isso é proibido, até isso é insano e considerado crime. E me escondem no meio de umas paredes limpas e brancas e eu tenho vontade de fugir e rever as pessoas. E de todas elas, eu queria mesmo era me reencontrar.


— É possível, só depende de você. Não adianta blindar o riso se a alma anda baleada de insatisfação, não adianta. As paredes brancas bordam uma paz que não acomoda, nada preenche o vazio que castiga teu corpo. A fuga persegue tua mente, teu corpo vacila, cai, se atola numa saudade de tempos bonitos, de coisas que se perderam para sempre. A ausência mastiga os ossos, o corpo pede reencontros e o futuro se apressa querendo mostrar o novo.


— Só me diz que vai passar, hora ou outra. E vou terminar dizendo que o futuro não se apressa em nada. O tempo se arrasta feito lesma entediada e eu estou cansado de seguir nesse ritmo tedioso. Mas segue. Tudo segue. Lá e cá. Um dia, quem sabe?

Parceria com Ju Fuzetto

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

nobody say it was easy.

Fico pensando que nada, na verdade nada, tem sentido. Essa balela de ficar procurando um motivo por trás de cada ação que o universo toma. O mundo é uma merda, se for parar para pensar, então, por que? Deixa a porra toda explodir de vez. Ontem vieram me contar que não deu porque não era para dar. Achei um absurdo, porque era para dar e tinha tudo para dar certo. Mas não deu, fim. Não deu porque eu fui um escroto estúpido, não deu porque eu me meti onde não devia, não deu porque eu falhei um trilhão e outras vezes, não deu porque eu dividi amores, palavras, camas. Não deu porque eu fodi com tudo, então, por favor, não me venha com essa de não deu porque não era para dar. Adotei a terceira lei, a da ação e reação. O universo não conspira para nada, tudo é reflexo daquilo que tu fez. E se eu fui um otário ferrado e fodido, eu tenho mais é que merecer essa vida de merdinha que venho levando. Com força e fé, porque andando na linha tudo vai passar. Daí eu terei outras linhas para reescrever uma história e, quem sabe, num acaso ou num destino, eu me esbarre contigo só mais uma vez e consiga nos dar um final feliz.